Lições de uma goiabeira esquecida e de um gato sem asas
José Roberto Limas da Silva[1]
Esta é uma pequena história que começa de forma inesperada, passeia por lugares estranhos, mas que nos oferece, ao fim, uma reflexão necessária. Estava eu olhando, aleatoriamente, através da janela da academia de ginástica, quando vi, por cima do muro, um gato sem asas, passeando debaixo de uma goiabeira desprezada. Eu sei, estas são impressões nada casuais para uma sexta-feira banhada por chuvas de verão. Mas espere, esta é, apenas, uma parte da história. O caso da goiabeira esquecida merece ser contado, pois a pobre estava apinhada de goiabas na sua copa, mas ninguém aparecia para colher seus frutos. Nem mesmo o “Chico Bento” apareceu para desfrutar de suas delícias. Assim, havia goiabas maduras, aos montes, nos seus galhos e frutos apodrecendo ao seu pé. Bom, você deve estar se perguntando: onde ele quer chegar? Espere um pouco, ainda não lhe apresentei o gato sem asas, que era igual aos outros gatos. O felino, de fato, não voava. Sim, não era alado, mas saltava sobre borboletas que voavam ao seu redor. E, com alguma sorte, vezes por outra, capturava uma ali e outra acolá. Agora sim, vou falar o que pretendo com esta história. Goiabeiras não precisam de consumidores para darem seus frutos. Elas precisam, apenas, responder a sua vocação, ou seja, dar goiabas na estação própria. Igualmente, gatos não precisam voar, basta saltarem com eficácia. Esta história pode nos inspirar a uma vida frutífera e abençoadora, mesmo que as pessoas não reconheçam a qualidade e a validade de nossos frutos. Igualmente, à semelhança do gato sem asas, podemos alcançar nossos objetivos nos valendo das competências que já temos, em vez de vivermos iludindo nosso coração com aquilo que não podemos ter. Afinal, cada um de nós recebeu um dom e uma vocação da parte de Deus que é suficiente para nossa felicidade (I Co. 7. 24).
[1] Texto comemorativo aos meus 60 anos de vida. Agradeço a Deus por ter mantido-me vivo e frutífero para sua Glória.