segunda-feira, 9 de janeiro de 2023


 

Religião e esfera pública: as dimensões da nossa religiosidade


José Roberto Limas da Silva[1]


Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 12. 1- 4).

 

O ponto de partida para compreendermos o lugar da religião na sociedade é reconhecermos que a religiosidade não é um fenômeno separado da vida social. O sociólogo Émile Durkheim tem essa mesma compreensão radical quando afirma que "se a religião gerou tudo o que existe de essencial na sociedade, é porque a ideia de sociedade é a alma da religião" (DURKHEIM, 2008, 493). Assim, também, entendemos que a religião está presente em diversas dimensões da nossa existência e por isso precisa ser cuidadosamente interpretada em cada um desses ambientes. Confundir essas dimensões poderá nos transformar em cristãos secularizados ou cristãos fundamentalistas e intolerantes, ou seja, qualquer um dos dois polos é perigoso para a religião cristã.

A discussão sobre o lugar da religião na sociedade é um tema que interessa primeiramente a nós (como instrumentos de Deus para abençoar a as famílias), mas temos percebido que "o tema das relações entre estado e religião voltou a ser, na virada do milênio, um assunto de relevância nas discussões políticas e filosóficas, tanto em função das novas questões ligadas ao multiculturalismo, como também as discussões acerca da esfera pública no contexto democrático" (ZABATIERO, 2012).

Sendo assim, convém, inicialmente, estabelecermos definições claras sobre o que é religião e o que é esfera pública. Giddens, citando Durkheim, afirma que religião é um “sistema unificado de crenças e práticas ligadas ao sagrado que congrega as pessoas que as seguem em uma comunidade” (GIDDENS, 2017). Dessa forma, a religião é composta por indivíduos que manifestam alguma forma de crença no Transcendente/Sagrado (deus, deuses ou deusas) e que possuem um sistema de doutrinas e valores que é aceito e praticado por essa comunidade. No caso da religião cristã, trata-se da crença num Deus eterno e pessoal, que é criador, sustentador e salvador da humanidade. Nesse primeiro momento, enquanto cristãos, temos que entender que a definição de religião para a sociedade não é necessariamente a mesma da Bíblia cristã, sobretudo porque estamos num ambiente em que todos os segmentos religiosos precisam ser respeitados.

Pensando agora na definição de esfera pública, podemos afirmar que ela é o espaço intermediário entre o poder estatal e o cidadão comum, ou seja, é uma espacialidade neutra, onde os assuntos ligados aos interesses do Estado e da sociedade são tematizados e discutidos fora da estrutura política estatal. Segundo Giddens, esfera pública é uma “arena da discussão e do debate público nas sociedades modernas, podendo ser espaços formais e informais” (GIDDENS, 2017). Agora, citando Habermas, Giddens reconhece que a arena pública é o espaço “em que os assuntos de interesse geral podem ser discutidos e as opiniões podem ser formadas, o que é necessário para a efetiva participação democrática e para o processo democrático” (GIDDENS, 2017). Sendo assim, esfera pública é o lugar onde o cidadão é ouvido, incluído e considerado nas suas ideias.

Feitas essas considerações iniciais, deixando bem claro que são definições técnicas e não pressupostos doutrinários, precisamos entender que a presença da igreja na esfera pública passa primeiramente pelo reconhecimento do ambiente em que ela (religião) está pisando, que não é o solo sagrado da vida congregacional, mas uma espacialidade laica, onde estão presentes crentes e descrentes; religiosos e irreligiosos. Dessa forma, vamos focalizar o assunto que nos interessa mais de perto, que é compreender nosso papel, enquanto cristãos, na esfera pública. Para isso, vamos dividir em três dimensões essa inserção da igreja na esfera pública.

A primeira dimensão é a privativa, pois quando olhamos para a chamada de Abraão (conforme o texto preambulado), entendemos que a vocação e o chamado do cristão são particulares. Nesse sentido, Deus não chamou, primeiramente, a nação de Israel, mas a pessoa de Abraão, pois o encontro com Deus é particular, pessoal e subjetivo, e acontece no nível do privativo e não do coletivo. Quando analisamos, também, o chamamento de Moisés, lembramo-nos do texto de Êxodo: “Vendo o Senhor que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui!” (Êxodo 3. 4). Assim, mais uma vez, percebemos que Deus começa sua ação missionária, na sociedade, a partir do indivíduo.

Deduzimos dessa dimensão privativa da vocação cristã que não é possível ação social significativa (participação na esfera pública) se não houver verdadeira experiência particular com Deus. O Novo Testamento deixa claro essa proposta, quando estabelece que a vida cristã começa com a conversão do indivíduo e, somente depois, com a missão. O próprio Jesus disse que “a obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo. 6. 29). Outra vez, Durkheim oferece sua compreensão sociológica quando assevera que “o fiel que comungou com o seu deus[2] não é apenas um homem que vê verdades novas que o incrédulo ignora: é um homem que pode mais. Ele sente em si força maior para suportar as dificuldades da existência e para vencê-las” (DURKHEIM, 2008).

A segunda dimensão é a congregacional, que é o ambiente onde a experiência religiosa do cristão precisa ser mediada e estruturada por uma boa educação religiosa. Não podemos esquecer que Jesus gastou três anos e meio, ininterruptos, nesse processo.  Assim, a formação cristã relevante e segura acontece principalmente no ambiente congregacional, pois sabemos que a igreja cristã primitiva preparava os seus membros para a vida na comunidade, treinando e discipulando-os para demonstrarem um comportamento não somente religioso, mas ético na sociedade. O texto do livro de Atos afirma que esses cristãos “vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2. 45 – 47).

Dessa perspectiva congregacional, concluímos que as nossas ações, na esfera pública, precisam ser formatadas partindo do ambiente da igreja e não da sociedade. Assim, o discurso que levaremos à esfera pública precisa ser construído num ambiente de instrução e educação religiosas, senão nossa abordagem na esfera pública não terá o respaldo de nossa comunidade religiosa.

A terceira dimensão é a comunitária, que diz respeito à sensibilidade que a igreja precisa ter com o seu entorno, percebendo as demandas mais urgentes da sociedade. Assim, a mensagem profética da igreja deve abranger os grupos sociais marginalizados – homossexuais, mulheres, pobres e crianças – não apenas combatendo o pecado, mas viabilizando caminhos para esses grupos oprimidos pelo modelo social dominante. Um dos textos mais interessantes, nessa perspectiva comunitária, é o do livro de Atos dos apóstolos, senão vejamos: “Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, nome este que, traduzido, quer dizer Dorcas; era ela notável pelas boas obras e esmolas que fazia. Pedro atendeu e foi com eles. Tendo chegado, conduziram-no para o cenáculo; e todas as viúvas o cercaram, chorando e mostrando-lhe túnicas e vestidos que Dorcas fizera enquanto estava com elas” (Atos 9. 36, 39).

Portanto, na dimensão comunitária, a igreja interpreta os clamores e gemidos da sociedade e proporciona uma leitura não somente religiosa, mas humanitária, considerando que o ser humano é o alvo mais elevado da mensagem cristã, independentemente do local ou da circunstância sócio-cultural em que está inserido aquele indivíduo.

Feitas essas observações sobre as três dimensões da nossa religiosidade, consideramos oportuno reforçar a importância que a religião cristã tem na história da humanidade, especialmente na civilização ocidental. Não devemos permanecer distantes e indiferentes às possibilidades de uma inserção na esfera pública que seja saudável, pacífica, piedosa e produtiva. Assim, nossa contribuição será tanto maior se soubermos respeitar os diversos segmentos sociais, podendo eventualmente discordar e questionar o modus vivendi da sociedade, mas jamais abandoná-la à própria sorte. Por fim, não devemos nos esquecer da convocação de Abraão, que foi comissionado para abençoar todas as famílias da terra (conforme o texto de Gn. 12. 4.).

Glória a Deus!

 

 

Referências

ARAÚJO, Luiz Bernardo Leite e tal. Esfera Pública e Secularismo - Ensaios de Filosofia Política. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2012, P. 29;

DURKHEIM, Émile. As Formas Elementares de Vida Religiosa. São Paulo: Paulus, 2008, p. 493, 496;

GIDDENS, Anthony Giddens; SUTTON, Philip W. Conceitos essenciais da sociologia. Tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017.

MARTELLI, Stefano. A Religião na Sociedade Pós - Moderna.

WACHS, Manfredo Carlos (org). Ensino Religioso: religiosidades e práticas educativas: VII Simpósio de Ensino Religioso das Faculdades EST e I Seminário Estadual de Ensino Religioso do CONER/RS/ – São Leopoldo: Sinodal/EST, 2010.

ZABATIERO, Júlio. Para uma Teologia Pública. São Paulo: Fonte Editorial, Faculdade Unida, 2012.

 



[1] Doutorando em Teologia pela EST, Mestre em Ciências da Religião pela Faculdade Unida de Vitória.

[2] Sic

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021


                                                               Mateus, o evangelho dos periféricos.

José Roberto Limas da Silva[1]

O evangelho segundo Mateus é o que consegue dar mais visibilidade aos grupos sociais da Palestina, e que se revela mais inclusivo e mais conectado com a realidade política e social. O seu evangelho “tem um caráter mais austero do que o de Lucas”[2], por exemplo, mas consegue aliar o espírito criterioso da religião judaica à graça acolhedora de Jesus Cristo. Outro fator que gera empatia do evangelista Mateus com grupos marginalizados é a sua condição de Publicano, expondo-o seu sentimento de inadequação, agravado em face de “um evangelho escrito por um publicano dificilmente pareceria adaptado para alcançar justamente o povo a quem ele era dirigido”[3], que no caso era o judeu palestino, rigorosamente averso aos cobradores de impostos.

A sua inadequação, fruto de conflitos pessoais, alavanca e legitima sua posição de evangelista da inclusão, pois como escriba (oficial cartorial), lidava bem com as leis, mas como grupo social marginalizado (publicano) podia se condoer dos grupos periféricos da sociedade judaica. Sua posição paradoxal na vida social da Palestina lhe permitiu ouvir o discurso da elite rica e os gemidos dos excluídos. Os demais evangelistas estão atrelados a um sistema social ou religioso que não lhes permite tais leituras. Marcos é discípulo protegido e tutoriado pelo apóstolo Pedro. Tem família estável e piedosa (conforme Atos 12). Lucas é estrangeiro e não pode entender, nem vivenciar a vida social Palestinense. João vai escrever em Éfeso, numa conjuntura social grega, distanciada geográfica e culturalmente da Palestina. Somente Mateus vai escrever num contexto de paradoxos, envergando sua condição de pessoa rica e desprezada pela sociedade judaica.

O evangelho de Mateus não possui tom conciliatório ou conveniente. Ele escreve seu evangelho conforme se lhe apresenta as evidências internas do Velho Testamento, como se lhe afigura o Messias e como sente a comunidade ao seu redor. Ele não é um historiador, nem um cronista, mas simplesmente uma pessoa que escreve de consciência tranquila e espírito humilde, conectado a sua realidade social. Ele não escreve assentado em um gabinete, mas inspirado por Deus, enxergando a realidade social, política e cultural de sua época. Para Mateus, Jesus Cristo é o Messias prometido no Velho Testamento, o Filho do Deus Vivo. Isto é a base de sua teologia. Nenhum dos evangelistas se posiciona de forma tão definitiva e comprometedora como Mateus. Neste sentido, Lucas vai registrar a confissão de Pedro a respeito de Jesus, como “o Cristo de Deus”[4], enquanto Marcos vai dizer “tu és o Cristo”[5], enquanto Mateus registra: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo[6]”.

A teologia de Mateus é aberta e exposta aos paradoxos da vida social judaica. Ele não tem a intenção de conciliar, mas de denunciar as injustiças sociais e os desmandos da religião oficial. Seu evangelho navega perifericamente ao sistema estabelecido. Isto se percebe já no início do seu evangelho, quando inclui na genealogia de Jesus quatro mulheres, embora, “não se costumava incluir mulheres nas genealogias dos judeus”[7], sendo que são citadas nominalmente (Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba). Isto já revela o caráter periférico e marginal do evangelho de Mateus, uma vez que o “status de mulher na Palestina no tempo de Ieshua era, sem dúvida alguma, de inferioridade”[8].

Entretanto, no evangelho de Mateus, as mulheres são vistas, citadas e reconhecidas como seguidoras e apoiadoras do ministério de Jesus. No episódio da ressurreição, as mulheres só tem o protagonismo (no momento da crucificação e no anúncio da ressurreição) no evangelho de Mateus, sendo que nos demais evangelhos elas ocupam papel secundário. Veja a comparação dos textos!

a) No episódio da crucificação temos em Mateus 27. 55: “Estavam ali muitas mulheres, observando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servirem”. Nesta passagem, somos informados que as mulheres seguiam Jesus desde a Galileia, servindo-o.  Já em Marcos 15:40: “Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé”. Nesta passagem elas estão, apenas, observando, não diz se seguiam a Jesus e muito menos, se estavam servindo-o. Por fim, em Lucas 23:49: “Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas”. Nesta passagem, as mulheres são apenas coadjuvantes que seguiam Jesus.

b) No episódio do anúncio da ressurreição, em Marcos elas permanecem em silêncio e quando uma delas (Maria Madalena) anuncia, é imediatamente desacreditada. Em Lucas, o testemunho delas, também não é aceito pelos homens apóstolos. Somente em Mateus não há registro de descrédito à mensagem delas (Mateus 28. 8). Mateus não cita a rejeição do testemunho das mulheres, mas fala do encontro e da alegria que estas mulheres tiveram diante do Cristo ressurrecto.

Além destes fatos que demonstram o espírito tolerante, respeitoso e inclusivo de Mateus com as mulheres, podemos asseverar estatisticamente que no seu evangelho a palavra mulher é mais citada e incluída do que nos demais evangelhos. Vejamos então:  O evangelho de Mateus corresponde à 28,7% do texto dos evangelhos, enquanto o de Marcos abarca 18,3%, Lucas 31,1% e João 21,9%. Em Mateus temos 28 citações da palavra mulher, enquanto em Marcos tem 14, em Lucas 27 e João 21 citações.

Fica evidente que, apesar de Lucas ser o evangelho maior do novo testamento, ocupando quase um terço do texto evangélico (31%), Mateus é o texto que mais tem citações sobre a mulher, mesmo representando uma porcentagem menor (28%) que o texto de Lucas, que é o maior do novo testamento (conforme tabela acima). Marcos cita, apenas, 14 vezes a palavra mulher, no seu evangelho. João, também é mais econômico que Mateus, aludindo à palavra mulher, apenas, 21 vezes.

Mateus demonstra, também, em seu evangelho uma denúncia aos sistemas opressores e marginalizadores, reagindo nos limites da justiça e da retidão do Reino de Deus. A opressão e a corrupção do sistema político e religioso não são omitidas no episódio do suborno dos guardas romanos (conforme Mateus, capítulo vinte e oito, versos onze a quinze). Marcos e Lucas permanecem em silêncio. Ele questiona, também, com certa sutileza, a legalidade do Império Romano tributar a Palestina e, mais uma vez, Lucas e João não tocam no assunto, sequer. Somente Mateus demonstra certo inconformismo[9]. As mazelas do sistema religioso judaico, também, não são poupadas por Mateus, que gasta um capítulo inteiro do seu livro para denunciar a hipocrisia do sistema religioso oficial (Mateus 23), enquanto Marcos gasta três versículos.

Por fim, o evangelho de Mateus é o único que ousa registrar o pré-anúncio de Jesus, transferindo o reino de Deus dos judeus para os gentios. Nenhum evangelista ousa tanto. Mateus entende que os Judeus perderam a preeminência no Reino (na parábola dos lavradores maus)[10]. Lucas e Marcos silenciam sobre isto, mesmo narrando a mesmíssima Parábola. Só nos resta, então, reconhecer que o evangelho de Mateus é o mais inclusivo das classes sociais marginalizadas (mulheres, publicanos, escravos, prostitutas, gentios), além de incorporar o viés profético de denúncia das injustiças sociais.

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada. 2ª Ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

PFEIFFER, Charles F.; HARRISSON, Everett F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Bíblica Regular, 1980.

 

SWIDLER, Leonard. Ieshua: Jesus histórico, cristologia, ecumenismo. São Paulo: Edições Paulinas, 1993. p. 100.

 

VINCENT, Marvin R. Estudo no vocabulário Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. V. 01.

 

NOTAS

[1] Doutorando em Teologia pela EST (Escola Superior de Teologia), em São Leopoldo, RS, bolsista do CAPES/PROSUC/MEC. E-mail: jrlspastor@hotmail.com

[2]VINCENT, Marvin R. Estudo no vocabulário Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. V. 01, p. 03.

[3]VINCENT, 2012, p. 6.

[4]BÍBLIA, N. T. Evangelho de Lucas, capítulo nove, verso vinte. In: BÍBLIA Sagrada: Antigo e Novo Testamentos. Tradução: João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

[5]Bíblia, N. T. Evangelho de Marcos, capítulo oito, verso 29, 1993.

[6]Bíblia, N. T. Evangelho de Mateus, capítulo dezesseis, verso dezesseis, 1993

[7] PFEIFFER; HARRISSON, 1980, p. 03

[8] SWIDLER, Leonard. Ieshua: Jesus histórico, cristologia, ecumenismo. São Paulo: Edições Paulinas, 1993. p. 100.

[9]Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas? Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti.” (Mateus 17:24-27 RA)

[10]Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.” (Mateus 21:43 RA)

 

domingo, 18 de outubro de 2020

GOOGLE IMAGENS


MENSAGEM

Texto: Levítico 4. 1- 3, 15

1 Disse o Senhor a Moisés e a Arão: 2 Levanta o censo dos filhos de Coate, do meio dos filhos de Levi, pelas suas famílias, segundo a casa de seus pais; 3 da idade de trinta anos para cima até aos cinqüenta será todo aquele que entrar neste serviço, para exercer algum encargo na tenda da congregação.

15 Havendo, pois, Arão e seus filhos, ao partir o arraial, acabado de cobrir o santuário e todos os móveis dele, então, os filhos de Coate virão para levá-lo; mas, nas coisas santas, não tocarão, para que não morram; são estas as coisas da tenda da congregação que os filhos de Coate devem levar.

 

Quais são os limites que Deus estabeleceu sobre nossa vida?

Introdução: Deus tinha recomendações expressas para os hebreus quanto aos limites de suas atividades. Cada família dos levitas, por exemplo, tinha atribuições claras definidas na vida da comunidade. Evidentemente que Deus tem essa proposta para nós, entretanto a maioria de nós vive alheia a esses limites que Deus estabeleceu para nossa vida. Hoje, vamos conhecer esses limites:

1-   Limites de ordem temporal – Nm. 4. 1- 3

·       Deus nos deu uma estrutura física e psicológica para desempenharmos determinadas funções – dos 30 aos 50 anos, no caso dos levitas;

·       Precisamos considerar que existe uma ordem natural para a vida – o que passar disso é uma exceção – Ecl. 3. 1 – 7;

·       Existe o tempo de trabalhar e o tempo de descansar, por isso Deus descansou no dia sétimo – Gn. 2. 2, 3;

·       É prudente planejarmos nossa vida, considerando que ela tem uma etapa histórica definida por Deus. Mesmo sendo desconhecida por nós, ela existe – Sl. 139. 16

 

2-   Limites de ordem funcional

·       Deus nos estruturou para determinadas funções. Precisamos entender o “desenho de nosso cargo”[1] – Coatitas tinha a função de carregar o mobiliário – Nm. 4. 15;

·       Precisamos respeitar aquilo que Deus nos vedou – as coisas santas foram vedadas aos Coatitas... Nm. 4. 15

·       Assumir uma função ou responsabilidade que não nos pertence, é sempre desastroso – Nm. 12. 1 -13;

·       Deus estabeleceu limites funcionais que precisamos observar – Mt. 10. 5, 6.

 

TEXTOS DA MENSAGEM

1-   Eclesiastes 3. 1 – 7

1Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: 2há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; 3 tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; 4 tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; 5 tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; 6 tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; 7 tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; 8 tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.

 

2-   Gênesis 2. 2, 3

2 E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. 3 E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.

3-   Salmo 139. 16

16 Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.

4-   Números 12. 1 – 13

1 Falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuxita que tomara; pois tinha tomado a mulher cuxita. 2 E disseram: Porventura, tem falado o Senhor somente por Moisés? Não tem falado também por nós? O Senhor o ouviu. 3 Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. 4 Logo o Senhor disse a Moisés, e a Arão, e a Miriã: Vós três, saí à tenda da congregação. E saíram eles três. 5 Então, o Senhor desceu na coluna de nuvem e se pôs à porta da tenda; depois, chamou a Arão e a Miriã, e eles se apresentaram. 6 Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. 7 Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. 8 Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do Senhor; como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?9 E a ira do Senhor contra eles se acendeu; e retirou-se. 10 A nuvem afastou-se de sobre a tenda; e eis que Miriã achou-se leprosa, branca como neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa. 11 Então, disse Arão a Moisés: Ai! Senhor meu, não ponhas, te rogo, sobre nós este pecado, pois loucamente procedemos e pecamos. 12 Ora, não seja ela como um aborto, que, saindo do ventre de sua mãe, tenha metade de sua carne já consumida. 13 Moisés clamou ao Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures.

5-   Mateus 10. 5, 6

5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel.

 



[1] Desenho de seus cargos, ou seja, definir tarefas a serem desempenhadas por seus ocupantes, suas responsabilidades, bem como seu relacionamento com a organização. Disponível em: https://www.trabalhosescolares.net/desenhos-de-cargos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

 

IMPACTO DA AGRICULTURA MECANIZADA NO MUNICÍPIO DE BOCAIUVA – MG

José Roberto Limas da Silva[1]

Fonte: https://reporterbrasil.org.br/2018/10

O município de Bocaiuva está localizado no norte de Minas, em direção ao Vale do Jequitinhonha. Encontra-se a 686 metros de altitude e tem as seguintes coordenadas geográficas: Latitude 17˚ 6’ 55” Sul e Longitude 43˚ 49’ 16” Oeste. A vegetação predominante é de cerrado, com terras mais ácidas e regime de chuva de baixa pluviosidade e concentração das chuvas no período de novembro a fevereiro. O município de Bocaiuva tem pouca tradição na agricultura, senão naquela de subsistência, prevalecendo a pecuária de corte.

Considerando a proposta desse texto, que é demonstrar o impacto da agricultura mecanizada em nosso município, antes de mais nada, precisamos dizer que não há em nosso município lastros desta moderna agricultura no que concerne ao cultivo de espécies agrícolas tradicionais (como o trigo, a soja, o milho, arroz etc), outrossim, temos, recentemente, na silvicultura (cultivo de espécies florestais) um fator marcante na economia de nosso município.

A implantação de florestas de eucalipto em nossa região se tornou a legítima sucessora das práticas agro-pastoris de subsistência de nosso meio rural. Ainda, que não consideremos a silvicultura como prática, eminentemente, agrícola, seu perfil espacial e social preencheu esta condição, sobretudo no abarcamento da mão – de – obra do meio rural e como alternativa comercial para terras de pouco valor para a agricultura.

Somente, a título de informação, temos atualmente no norte e vale do Jequitinhonha uma área de 4.074 km2 de eucalipto plantado. Já ocupou área maior na década de oitenta, atingindo mais de 6.000 km2. Um fato digno de nota é que no período inaugural do cultivo do eucalipto, somente, em nosso município e entorno, absorveu uma mão – de – obra superior a 2000 pessoas. O autor deste artigo, inclusive trabalhou numa destas empresas na década de oitenta em áreas de plantio, irrigação e corte do eucalipto, e pode testemunhar que a mão – de – obra, majoritariamente, absorvida era braçal.

Bom! Depois destas breves considerações, chamo a atenção para o fato de que estas florestadoras e reflorestadoras estão, atualmente, na vanguarda da agricultura mecanizada e tecnificada, possuindo o que há de mais moderno no preparo do solo, no controle de pragas/ervas daninhas e na colheita (corte) do eucalipto. Na minha região a silvicultura predominante é a da monocultura do eucalipto, com algumas minúsculas “manchas” de pinus, sendo que “a produção dessas regiões visa abastecer, principalmente, as siderúgicas da Região Central do estado” (fonte: http://www.portalseer.ufba.br/ index.php/geotextos/article/viewFile /5931/4645).

Recentemente, estas empresas de reflorestamento (Plantar, V&M Florestal, Florestaminas, Acesita, Refloralje etc) implementaram a mecanização na produção do eucalipto. Sendo que o plantio, a capina, o combate às pragas, o corte e o transporte estão quase que totalmente mecanizado. Uma das etapas que mais consumia mão – de – obra era o corte e beneficiamento do eucalipto. Para se ter uma ideia do enxugamento do trabalho manual, existe, hoje, uma máquina que derruba, desfolha, descasca, pica, empraça e carrega os caminhões. Isto era trabalho para centenas de homens. Esta situação é tão grave que, nas fazendas de eucalipto, da minha região, que empregavam em torno de 2.000 (duas mil) pessoas, hoje possui um contingente de mais ou menos 200 (duzentas) pessoas trabalhando.

Uma questão que deve ser observada é que estas empresas (do ramo da silvicultura) operam no mercado de forma semelhante às grandes empresas do agro-negócio, que produzem para atender, precipuamente, às demandas da indústria e do mercado. Os produtos do agro – negócio brasileiro, exportados na forma de comodities (produtos básicos in natura), que são mercadorias essenciais para o consumo humano, como cereais, frutas, carnes etc guardam grande semelhança com a exploração da monocultura do eucalipto norte mineiro. Este último visa abastecer a indústria siderúrgica mineira que tem como carro – chefe a exportação do ferro e do aço para o mercado estrangeiro (Estados Unidos, China, Oriente Médio). A crítica conhecida à Revolução Verde, como a perpetrada por MOREIRA (críticas ambientalistas à revolução verde) se desenvolve em três frentes:

a)    Crítica técnica: Diz respeito ao manuseio nada escrupuloso do solo, sobretudo com uso de forças agressoras ao processo natural e gradual de formação dos solos. Isto sem falar pela ação poluente e destruidora de micro-organismos do solo, através do uso de diversos agro-tóxicos (herbicidas, adubos químicos, inseticidas etc);

b)    Crítica Social: Está relacionada com a priorização  de um segmento social, que passa ter prioridade no acesso ao crédito, que é o caso das grandes empresas e corporações, algumas de origem estrangeira, em prejuízo do pequeno agricultor ou do assentado. Não somente isto, o modelo de agricultura voltado para a indústria e o mercado não contempla mercados locais, realidades sociais de populações minoritárias que estão ou estavam em estreita relação histórica, cultural e econômica com aquele ambiente. Um dos fatores mais nocivos é a elevada concentração de terras no cultivo de uma mono-cultura, por exemplo;

c)    Crítica Econômica: O modelo do agro-negócio, especialmente, reflete bem esta forma concentradora de renda na mão dos grandes empreendedores. As perdas são imensas, pois, este negócio depende de pouca mão – de – obra humana, diminui o acesso às terras agricultáveis, gera evasão de rendas com a aquisição de insumos caríssimos importados do exterior.

Por fim, analisando, a realidade do meu município, endosso e estendo às críticas à agricultura modernizada/tecnificada, sobretudo, tendo em vista o advento da Revolução Verde, e mormente, considerando o agro-negócio brasileiro. Por que faço isto? Observando a vida do nosso povo sertanejo e a paisagem rural, ao meu redor, percebo prejuízos irremissíveis, e para mim, impossíveis de serem compensados. Passo a alistá-los e eles expressam a minha conclusiva opinião sobre o tema proposto:

A)   A silvicultura retirou o pequeno agricultor de seu cultivo de subsistência e depois o lançou na rua da amargura do desemprego;

B)   A silvicultura, perpetrada pelas florestadoras, comprou a preço de banana as terras dos pequenos agricultores e empregou seus filhos á preço de nada;

C)   O eucalipto roubou a diversidade do cerrado e arrasou o seu solo, sugando a sua limitada fertilidade. Quem anda por estas bandas do norte, em um talhão que já foi plantado eucalipto,sabe que ali só nasce angiquinho (planta herbácea espinhenta, sem utilidade);

D)   O eucalipto bebeu as águas das nascentes, invadiu as margens dos rios e secou os brejos;

E)   O eucalipto consumiu a água e a matéria orgânica do cerrado e espantou as milhares de espécies animais que se abrigavam e alimentavam de sua variada flora, especialmente, as que frutificavam como o pequi, o murici, a caigaita, o araçá, o ananás etc;

F)   O pequeno agricultor, agora, sem terra e sem trabalho vai perambular pelos butecos da cidade, a espera de outra reflorestadora se instalar no que sobrou do cerrado.

 

Até aqui, minhas impressões!



[1] Geografo UFMG e Graduando em Filosofia/Uninter.