sábado, 5 de agosto de 2017



COMER OU PENSAR...
Analisando os últimos acontecimentos políticos de nosso país, especialmente as mudanças no texto da LDB (Lei de Diretrizes Básicas) da Educação, ficamos a perguntar se, de fato, está sendo proposto educação ou proletariação. Parece que se quisermos trabalhar, seremos alijados do pensar, ou seja, para trabalhar ninguém precisa pensar.  O desestímulo, para não dizer, vedação das disciplinas de Sociologia e Filosofia da grade do ensino médio, refletem esta ideia. As duas esferas de conhecimento (Sociologia e Filosofia) não são mais obrigatórias, como são Português e Matemática. E por quê? Os nossos líderes políticos não acham justo que o povo tenha comida e ainda receba educação.
Alguém dirá: - Ah isto é somente uma reforma educacional e nossos alunos estarão estudando! Indo á escola sim, mas sendo educados, com certeza não. A educação que só gera operários para produzir bens no mercado não é educação, mas “formatação”. A Sociologia é essencial para entendermos a luta de classes, as construções históricas da sociedade, os fatos sociais etc. Como alguém entenderá a vida coletiva sem conhecer a forma como funciona uma sociedade? E a Filosofia, que é a fundamentação epistemológica de toda ciência. Como produziremos educação, se tiramos o fundamento dela?

A frase de Jesus, registrada no evangelho de Mateus,“nem só de pão viverá o homem”, ganha imensa pertinência neste momento de nossa história. A classe política nacional acredita que nosso povo vive somente de pão. Fica parecendo que a finalidade máxima de um cidadão é ter um emprego, alcançando a bem aventurança de ter comida em sua mesa. Um emprego na fábrica ou no comércio tem sua validade, mas não é um fim em si mesmo, pois, afinal de contas, vivemos de outras coisas além do pão. 

Pr. José Roberto Limas da Silva

segunda-feira, 26 de junho de 2017

UNIDADE DA IGREJA



Por que não somos tão unidos como poderíamos ser? Diamantina – 11/06/17
João 17. 21
21 Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.
Um em essência
I Co. 12. 19
19 E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
Um em qualidade, não em quantidade.
João 10. 30
30 Eu e o Pai somos um.
Um em essência
Introdução: Somos questionados, muitas vezes, quanto à falta de união e parcerias entre nós, cristãos protestantes. Os críticos têm razão? Será que não conseguimos andar em unidade? Será que possuímos uma unidade invisível? Será que sabemos o que é unidade? Uma coisa temos certeza: Não somos tão unidos quanto poderíamos ser. Mas por quê?

1-     Porque a unidade espiritual é baseada na essência, não na aparência- Jo. 17. 21 -
·        Pode ser que esteja nos faltando o entendimento sobre o que é unidade na essência – O parâmetro é como é a união do Pai com o Filho? Unidade de natureza, não de pessoas. O Filho é igual em natureza e diferente em personalidade – Jo. 10. 30;
·        A minha comunhão com meu irmão só é possível a partir de Cristo. É esta comunhão com Cristo que define minha relação com meu irmão. Se ela é íntima é realçado o que me une ao meu irmão, mas se ela é deficiente, é evidenciado o que me separa do meu irmão – porque eu só posso ser um com meu irmão em Cristo – Jo. 17. 21b. Se não tenho amigos na igreja, se não dou bem com a maioria é sinal claro que não tenho boas relações com o Cristo que está na vida de meu irmão;
·        A unidade é fruto da comunhão, não causa da comunhão. Podemos estar juntos e não sermos unidos, por nos faltar a comunhão (koinonos, partes comuns, parceria, sociedade, cumplicidade). É a comunhão que cimenta a união. At. 2.44;
·        A unidade não é uniformidade. Unidade fala de essência, uniformidade fala de forma e de aparência. Ser unido é ser íntegro, completo, uno, não fragmentado, não dividido. Unidade, também, não é unicidade;
·        A unidade é forjada no coração, através da comunhão, não somos capazes de fabricar unidade. Só a comunhão nos proporciona sentir o que Cristo sentia – Fp. 2. 5, 6 – sentimento de esvaziamento para gerar unidade com os irmãos.
2-    Porque não percebemos que a unidade espiritual não anula a diversidade individual – I Co. 12. 19.
·        A unidade espiritual é construída a partir da comunhão, onde descobrimos que não podemos ser iguais em pessoalidade – I Co. 12. 20 – somos, desesperadamente, diferentes uns dos outros;
·        Descobrimos que é inviável a ideia de uma unidade social na igreja (a igreja não pode ser um movimento social, como o MST, por exemplo), isto mataria a vida orgânica da igreja – onde estará o corpo se eu transformar todos os membros em um único membro – os arquétipo social do cristão ideal cai por terra – I Co. 12. 19;
·        A igreja é um organismo que vive da colaboração de cada membro. Ela precisa ser sistêmica, ou seja, que cada parte seja integrada e interagente com o meio (corpo). Conceito de Ecossistema: Comunidade de todos os seres vivos (biocenose) integrados e interagentes entre si e com o meio (Ecótopos)–1Co. 12. 25 – 27. Eu sou igreja, somente, quando estou com o outro;
·        A colaboração do cristão só será eficiente se suas individualidades (temperamento, dons, talentos e habilidades) forem percebidas, aceitas e integradas. A igreja que mata as individualidades se torna uma igreja bitolada, sectária, monolítica e indiferente à obra de Deus no seu entorno social – Atos 15. 4,5;

·        A religião que manipula e formata seus seguidores atrofia o corpo e empobrece o evangelho – Marcos 2. 18. O que é mais bonito? A floresta homogênea de Eucalipto, ou o bioma heterogêneo do cerrado (com sua diversidade de plantas, animais). O eucalipto com suas folhas bem delineadas, tronco reto e crescimento uniforme ou o pequi, o panã, o araçá, o murici com suas folhas rústicas, seus caules retorcidos e seu porte diferenciado?

Acesse a mensagem em> https://www.youtube.com/watch?v=LTVrlRgC4BE

segunda-feira, 5 de junho de 2017

MENSAGEM PARA A FAMÍLIA

Tema: Lar, lugar de segurança e felicidade.


TEXTO: RUTE 3. 1

1 Certo dia, Noemi, sua sogra, lhe disse: "Minha filha, tenho que procurar um lar seguro, para sua felicidade.”
1 ¶ Disse-lhe Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar-te um lar, para que sejas feliz?

Introdução: Muitas famílias não são felizes. Muitos lares não são seguros. Muitas pessoas sofrem porque não tem um lar estável. Muitas famílias da Bíblia não tinham um lar feliz. Adão não teve um lar estável, Abraão não teve um lar estável, Jacó não teve um lar estável. Ter um lar estável, seguro e feliz é um privilégio. É possível ter um lar feliz? Maria e José tiveram um lar feliz, Isabel e Zacarias tiveram um lar feliz, Maria mão de João Marcos teve um lar feliz, Priscila e Áquila tiveram um lar feliz. A pergunta, então, é como ter um lar feliz e seguro?

Quais são as condições para se ter um lar feliz?

1- O lar feliz não é uma casualidade é uma construção
·         O lar feliz só pode ser construído por pessoas maduras – cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura e depois edifica sua casa (é preciso amadurecer para poder edificar uma casa sólida); Pv. 24. 27;
·         O lar feliz não é um acidente ou um resultado natural da vida. Ele é uma escolha, uma busca – Noemi não deixou que o acaso cuidasse da sua nora, mas se empenhou em buscar uma pessoa certa para sua nora – Rt. 3. 2;
·         O lar, sendo uma construção, precisa de bons construtores. O lar só é sólido se todos trabalharem com os mesmos objetivos – até o diabo trabalha em equipe para manter o seu reino e porque nós sentimo-nos livres para não colaborar com o sucesso de nossa família – Mt. 12. 25, 26;
·         Não basta querer um lar feliz é preciso investir esforços e recursos – Rt 3. 3 – 5 – banhe-se, perfume-se, vista uma roupa bonita e vai até onde está a bênção – Rute não se desanimou pelo primeiro fracasso na edificação de sua casa (o primeiro marido morreu), mas cumpriu a risca o que era necessário – Rt 3. 5.

2- O lar não é, necessariamente, um lugar físico, mas um lugar emocional
·         O lar feliz não precisa de casa bonita, de móveis de luxo, nem de grandes coisas. O lar feliz não é um lugar, mas um estado de alma – Pv. 15. 17;
·         O lar seguro é onde as dificuldades e carências não roubam a paz e a tranqüilidade – Jo. 16. 31
·         O lar seguro está construído sobre bases emocionais seguras. O amor é o fundamento do lar feliz – I Jo. 4. 18 – O amor é a base para a estabilidade e a felicidade de família – e o que é o amor: I Co. 13. 4 – 7 (paciência, bondade, humildade, justiça, sofrimento, fé, paciência e resiliência;

·         O lar feliz é aquele onde as pessoas são capazes de se amarem durante os momentos difíceis – Pv. 17. 17 – Os sofrimentos aperfeiçoam e solidificam o nosso lar (Rute teve luto, pobreza, privações), isto a amadureceu para construir um lar seguro e feliz. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

QUAIS SÃO AS VANTAGENS DE NÃO SERMOS APEGADOS À COISA ALGUMA?
Texto: 2 Rs. 7. 3. 4
3 ¶ Quatro homens leprosos estavam à entrada da porta, os quais disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui sentados até morrermos?
4  Se dissermos: entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos lá; se ficarmos sentados aqui, também morreremos. Vamos, pois, agora, e demos conosco no arraial dos siros; se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, tão-somente morreremos.
Texto: Lc. 14. 13
“ Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:33 RA)
  
Introdução: Nascemos e somos educados para termos coisas. Criamos relações de apego com tudo que possuímos, desde o nosso velotrol até o primeiro carro. Compramos, registramos, emplacamos, ferramos, selamos, marcamos com nosso nome. As coisas passam ser extensões de nossa vida. Não conseguimos viver sem elas. Entretanto, a Bíblia ensina-nos a sermos desapegados de tudo e de todos. Ser desapegado não quer dizer ser indiferente ou não dar valor às coisas ou ás pessoas, mas simplesmente, não estar preso aquele objeto, pessoa ou circunstância. Este é o conceito que adotamos nesta mensagem... E vamos demonstrar quais são as vantagens de não sermos apegados a coisa alguma:

1ª Vantagem: Disposição para correr riscos
·        Eles eram leprosos, sem família, sem prestígio – não tinham nada para perder – o cristão, também,  não deve ter sua vida por preciosa demais, a ponto de rejeitar a cruz – Atos 20. 24;
·        Quem está preso às coisas não aceita os riscos que a vida ao lado de Cristo oferece – a doce aventura de seguir a Cristo – Mc. 10. 21, 22 – Este jovem não tinha uma aventura digna para contar aos seus netos;
·        Projetos ousados são bem-vindos para quem não tem nada a perder – entrar no arraial dos siros era perigoso, mas os leprosos arriscaram assim mesmo – para que ficar assentado vendo a vida escorrendo entre os dedos. Vamos fazer alguma coisa para Cristo enquanto podemos...
·        Nenhum risco é tão grande quanto a convicção de se estar fazendo a coisa certa – Eliseu largou tudo porque tinha convicção da missão – I Reis 19. 19 – 21 (bois, aparelhos, fazenda, tudo).

2ª Vantagem – Qualquer retorno se torna um lucro
·        Quando se abre mão de tudo, qualquer acréscimo é ganho – quem deixou casa, família, plantações receberá muitas vezes mais – Mc. 10. 29, 30 – basta o usufruto, não precisa a posse...
·        Os leprosos só tiveram êxito porque sabiam que não tinham nada a perder, portanto, qualquer coisa que chegasse seria ganho...; viver já seria um grande prêmio (comer, beber, sorrir, conversar, aprender, estas coisas não exigem posse). Os leprosos não precisavam possuir nada, precisavam, apenas, viver... v. 4;
·        Quem é desapegado não alimenta expectativas exageradas – Fp. 4. 12, 13 (honrado ou humilhado, fartura ou privação, tanto faz – Deus é suficiente para tudo, independente das circunstâncias);

·        Quem não tem apego às coisas, aprende viver além das coisas - Mt. 4. 4. Quem pensa assim, não deixa que a posse das coisas determine seu projeto de vida.

segunda-feira, 13 de março de 2017



TRÊS COISAS QUE TODO HOMEM PRECISA ACEITAR
Texto: Eclesiastes 3. 11
Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.

Introdução: Há determinadas coisas que precisam ser consideradas e aceitas em nossas vidas. Gastamos muito tempo, lutando com coisas que não vão mudar e que precisam ser, simplesmente, aceitas. Hoje, vamos falar de três coisas que todo homem e toda mulher precisam aceitar.

1ª- Que o homem precisa de fundamentos e limites definidos – Ec. 3. 11
·                   O homem não pode sobreviver psicológica e emocionalmente se não houver limites morais e éticos definidos – Salmos 11. 3;
·                   O homem precisa estar ciente que existem limites intransponíveis – tudo que era para ser criado já foi criado (Cl. 1. 16) – a física ensina que o princípio da conservação de energia (a taxa de energia do universo é estável) – como disse o francês Lavosier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Outro exemplo é a morte que é uma experiência obrigatória na vida do ser humano. Ela não pode ser vencida porque ela é, antes de tudo, espiritual – Deus disse: no dia que comerdes deste fruto (pecado), certamente, morrerás. A manifestação da morte na vida física é somente um aspecto da morte... A morte não é somente física e mental, mas sobretudo espiritual...
·                   Atualmente, não há nenhuma criação original no universo. Não existe nada de novo, tudo que é já foi ou será – Ec. 1. 9 – Estamos limitados pelo que Deus fez e pela forma como fez.

2ª- Que o homem foi criado e codificado para a eternidade – Ec. 3. 11b
·                   O homem nasce religioso no sentido histórico. Não há como negar que a origem do homem na terra passa pela compreensão mítica, simbólica e religiosa da vida. Esta propensão para o que é eterno se manifesta na história de várias formas. A própria busca científica pela imortalidade é um sinal claro deste desejo de viver;
·                   A eternidade não é, primeiramente, uma escolha do homem, mas uma escolha de Deus. I Tm. 2. 3, 4;
·                   Se o homem fosse um projeto temporário não faria sentido o sacrifício de Cristo. A eternidade é mais real do que a dispensação presente - 2 Pd. 3. 9. Deus é tolerante com o que acontece neste mundo porque ele trata o homem considerando que ele tem uma alma imortal.

3ª- Que a vida precisa de uma dose de mistério – Ec. 3. 11
·                   Nossa atual condição nos expõe à curiosidade e a busca de respostas. Isto faz parte da nossa caminhada. Achar que vamos dissecar a terra e o universo é uma grande vaidade. A maioria dos mistérios está no campo do sobrenatural e do transcendente. Um dos mistérios é descobrir quem e como o universo e a terra foram criados – Ec. 1. 13 – 15
·                   O mundo não pode ser concebido nem explicado, apenas, a partir da razão e da ética. Existem coisas que extrapolam a nossa condição físico/química e biológica. Existe um mundo espiritual, existem coisas invisíveis, existem coisas que estão além da nossa capacidade de compreender e explicar – 2Co. 12. 4;

·                   O desencantamento do mundo previsto por Max Weber e outros pensadores não se estabeleceu, porque o homem não se satisfaz com as coisas que o olho pode ver, ou o ouvido possa ouvir. I Co. 2. 9. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

UMA REFLEXÃO SOBRE A ALMA

COMO ALGUÉM PERDE A SUA ALMA?

Texto: Mateus 16. 25, 26
25 Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.
26 Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?
Introdução: A palavra alma tem significado bastante abrangente, podendo significar vida física, vida mental/psicológica, vida interior/espiritual, vida pessoal. Portanto, é o contexto que vai determinar se a palavra psuque (yuchv) está falando de um destes sentidos, mais de um, ou de todos os sentidos ao mesmo tempo. No texto que lemos a palavra psuque foi traduzida por vida no verso 25 e alma no verso 26. A maioria das traduções conservou esta disposição, como na Sociedade Bíblica Brasileira (ARA E ARC), como no Grego moderno que foi vertido por zoé (vida) e psique (alma), na NVI inglesa por life e Soul. Já na Bíblia de Jerusalém e Sociedade Bíblica Britânica, psuque foi traduzida por vida nos dois versículos, bem como na Tradução Brasileira, enquanto na vulgata latina, psuque foi traduzida por anima (significando alma nos dois textos). Portanto, a interpretação apropriada da palavra psuque (alma ou vida) nos favorecerá na resposta à seguinte pergunta: Como alguém perde a sua alma?
1- Perdendo para si mesmo – alma como consciência, como mente, como ego.
· Sufocando a consciência, impedindo que ela te julgue – ela é o tribunal da alma – 2 Co. 1. 12 (testemunho da consciência não deve ser silenciado);
· Negando a alma sua imagem original, deformando sua auto-imagem – Gn. 1. 27 (homem, como espécie, macho e fêmea como gênero – Adam (humano), Zacar (macho, no sentido biológico, cromossomático), Nequeba (fêmea, no sentido biológico, cromossomático);
· Deixando que o mundo (sistema) determine sua identidade (seu ego). O mundo quer sua alma (sua mente/consciência), porque se ele a tiver, o resto fica fácil – Tg. 4. 4.

2- Perdendo a alma para o pecado – alma como vida interior/espiritual.
· Substituindo a sede e a fome da alma pela presença de Deus por coisas materiais – Salmo 42. 1 – roubando a dimensão espiritual da alma;
· Rebaixando a elevação da alma às criações humanas (música, poesia, pintura, cultura em geral). Colocando o deleite da sua alma nas coisas criadas pela imaginação humana – Fp. 3. 19. Uma observação: a cultura não deve substituir a devoção da alma a Deus. A cultura deve ser filtrada pela devoção e não funcionar como substituta da devoção. A devoção é adoração, a apreciação estética é contemplação. A devoção é voltada para o criador, a contemplação é voltada para a criação. Atenção para não substituir o criador pela criação, para você não se tornar um idólatra;
· Ganhar o mundo inteiro implica em contaminar a alma com prazeres carnais (prostituição, feitiçaria, avareza, inimizades, ciúmes, contendas etc – Gl. 5. 19 – 21).


3- Perdendo a alma para a morte – alma como vida plena e verdadeira.
· Ganhar o mundo é perder Deus. Quando vivemos para o mundo, nossa alma morre diante de Deus;
· A alma no seu sentido mais abrangente significa vida total, vida essencial, vida plena. Quando a Bíblia fala de perder a alma (psuque) está falando de se perder tudo que o homem tem – NTLH (Mt. 16. 26a);
· Perdendo-se a alma, perde-se todo o ser. Condenando a alma, condena-se o ser por completo. E esta é uma perda irreparável... que dará o homem para resgatar sua alma...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

CAMINHOS DA IGREJA




Três caminhos que a vida religiosa oferece

Texto: João 6. 68
Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

Salmo 139. 7 - 10
Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.


Introdução: Pedro e Davi manifestam uma convicção que nossa geração não tem demonstrado. É a convicação de que não há nada, nem ninguém que seja tão importante ou que mereça tamanha dedicação e atenção, quanto o nosso Deus. Os dois estão convictos de que a presença de Deus ocupa todos os espaços da sua vida. A religião cristã de nossos dias, entretanto, vive de grandes contradições e conflitos doutrinários. A religião cristã tem várias ramificações e não há consenso entre elas. Vejamos a história:

A Igreja cristã católica romana – surgiu no século IV e crê nas Escrituras Sagradas e na tradição da igreja; nos santos e na infalibilidade papal; e na salvação pós-morte. A Igreja cristã ortodoxa oriental – surgiu no ano de 1054, quando se separou da igreja católica romana e crê nas Escrituras Sagradas, na tradição da igreja, na salvação pós-morte, mas não aceitam a figura do papa como vigário de Deus, possuem um patriarca; a Igreja cristã protestante – surgiu a partir do século XVI, quando se separou da igreja católica romana e crê nas Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática, na suficiência da salvação de Cristo, não existe a figura do papa, nem do patriarca e não acreditam numa salvação pós –morte.
Portanto, a igreja cristã seguiu vários caminhos até nossos dias. Cabe a nossa geração analisar quais são os caminhos que a igreja tem enveredado em nossos dias. Vamos pensar nesta noite, nos caminhos da igreja pós-moderna. Quais são os caminhos da igreja pós-moderna?



1-    O caminho da racionalidade – (da razão)
·        Buscar a explicação da vida na finitude dela. Enxergar-se como objeto e coisa no mundo – Fp. 3. 18, 19 – não há explicação possível dentro do meu curso de vida;
·        É a tentativa de esvaziar o mundo do encanto, do sobrenatural e do transcendente – At. 23.8;
·        Alguns seguem Jesus para obter vantagens materiais e políticas – Jo. 6. 26;
·        O caminho da racionalidade foge do que é eterno para buscar respostas no que os olhos podem ver e no que as mãos podem tocar – Jo.6. 51, 52

Anotações:

  • São aqueles que não estão em busca do milagre, mas do resultado do milagre;
  • São cristãos que estão em busca de cargos eclesiásticos e não em busca do Reino de Deus;
  • São aqueles que lutam por interesses religiosos mundanos e temporários não pela obra de Deus;
  • São aqueles que querem que o céu seja na terra, aqui e agora – é o céu do capitalismo: comida, saúde, dinheiro e sucesso;
  • São teologias terrenas: teologia do evangelho social, teologia da libertação, teologia da prosperidade

2-    O caminho da irracionalidade – (da superstição)
·        Viver desligado da realidade, negando os fatos. Fazer da superstição a explicação da realidade – 2 Tm.4.3, 4;
·        O caminho da irracionalidade é o caminho da fantasia, da ilusão, do misticismo e do engano satânico – Êxodo 8. 6, 7;
·        É rejeitar a verdade e viver de fantasias religiosas, enganando se a si mesmo e aos outros –2 Tm. 2. 17, 18 – pior do que não saber a verdade é se desviar dela.
·        São aquelas pessoas que se refugiaram em práticas religiosas e misteriosas e se tornaram prisioneiros de Satanás - Is. 44. 20;
Anotações:
  • Sobre a superstição: onde a consciência e a razão são silenciadas pelo sobrenatural (fé e boa consciência em Timóteo);
  • Onde o cristão perde a capacidade crítica e de juízo sobre a verdade – I Co. 14;
  • Quando o cristão vive, apenas, de um sobrenatural desconhecido;
  • Quando a religião rouba o bom senso e o discernimento – I Tm. 4. 1.

3-    O caminho da eternidade (da salvação)
·        Compreender a vida com os olhos da eternidade. Enxergar-se como projeto eterno de Deus – Sl. 139. 7 – 10 – o projeto de Deus é maior que nossas conjecturas e expectativas;
·        Interpretar a vida a partir do conhecimento de Deus- Jr. 9. 23, 24 – Não o contrário, ou seja, interpretar Deus a partir de seu conhecimento próprio. Há muitos querem compreender a vida a partir de si mesmo;
·        O caminho da eternidade é o único que dá sentido, propósito e direção para a vida – Ec. 3.11 – Por isto Pedro disse: Senhor não queremos ir para lugar algum, encontramos tudo que queríamos e precisávamos encontrar – Jo. 6. 68;
·        Se rejeitarmos o caminho da eternidade, em algum momento ele cruzará com o nosso caminho e nos mostrará a loucura que fizemos com nossa vida – a morte será está passagem inadiável – Lc. 12. 20, Mt. 16.26. 

Conclusão: O projeto eterno de Deus para o ser humano é inescapável. Todos prestarão contas de si mesmo, por isto é melhor prestar contas a Deus quando temos um mediador que nos perdoa, nos justifica e nos redime de nossos pecados. Glória a Deus!