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As Características da Geração Absalão
O culto da imagem não é uma experiência sociológica recente, pois a vaidade de ser considerado bonito, belo e extraordinário sempre rondou o coração do ser humano. Essa realidade ganha um rosto histórico nas páginas de 2 Samuel 14.25, que descreve um jovem formoso, forte e amplamente admirado pela sociedade israelita ao afirmar que “não havia, porém, em todo o Israel homem tão celebrado por sua beleza como Absalão; da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito algum”.
Considerando o fato de que Absalão era filho do rei Davi, a trajetória desse jovem revela muito do que acontece com a juventude e a sociedade de nossos dias. Para compreender essas semelhanças e discernir os paralelos entre aquela época e os dias atuais, a primeira coisa a ser feita é identificar as características fundamentais dessa "geração Absalão".
A primeira grande marca dessa geração é que as pessoas consideram a imagem muito mais importante do que a essência das coisas, agindo como se a embalagem fosse mais valiosa do que o próprio produto. Nos dias de hoje, a beleza física tornou-se a principal forma de validação social, fazendo com que a aparência exterior se sobreponha totalmente ao caráter.
Entrementes, o perigo desse estilo de vida fica evidente quando contrastamos a perfeição estética de Absalão com o seu interior corrompido, manifestado em 2 Samuel 13.28-29, quando ele deu ordens expressas aos seus servos dizendo: “Tomai sentido; quando o coração de Amnom estiver alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom, então o matareis; não temais: porque porventura não sou eu quem vo-lo ordenenado? Esforçai-vos, e sede valentes. E os moços de Absalão fizeram a Amnom como Absalão lhes havia ordenado. Então, todos os filhos do rei se levantaram, cada um montou seu mulo, e fugiram”.
O que percebemos é que essa contradição expõe que, na geração de Absalão, a aparência é a primeira — e muitas vezes a única — coisa a ser observada, levando o mundo a julgar estritamente segundo o que vê por fora. Essa postura nos remete diretamente à dura denúncia de Jesus em Mateus 23.27-28 contra os religiosos de sua época: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade”.
Destarte, vivemos sob o impacto dessa busca incessante pelo exterior e, assim, na nossa pós-modernidade, as pessoas passaram a construir uma imagem fictícia, um "eu virtual", um personagem ou um mito que, com o tempo, passa a possuir o próprio indivíduo e a conduzir cegamente os seus atos.
Esse fenômeno assemelha-se ao relato de Atos 8.9-13 sobre Simão, o mago, que “praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto; ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior... Aderiam a ele porque havia muito os iludira”, mostrando o poder que a ilusão da imagem exerce sobre as mentes.
Essa profunda inversão de valores abre caminho para a segunda característica crucial desse grupo.
Esta segunda característica apresenta uma geração que relativiza completamente os valores tradicionais. Neste sentido, Absalão, apesar de ser internamente um homem perverso, possuía um "bom papo" e uma excelente oratória que escondiam com sucesso o instinto assassino que carregava no peito.
Percebemos claramente este traço do seu caráter no texto de 2 Samuel 15.2-6, onde ele manipula diariamente seus concidadãos, senão vejamos: “Levantando-se pela manhã, parava à entrada da porta; e a todo homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, o chamava Absalão a si... e lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei... Ah! Quem me dera ser juiz na terra... Também, quando alguém se chegava para inclinar-se diante dele, ele estendia a mão, pegava-o e o beijava. Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel... e, assim, ele furtava o coração dos homens de Israel”.
Desse modo, a geração de Absalão, movida por esse mesmo espírito sedutor, não teme verdadeiramente a Deus, mas aprendeu a usar a religião — seja ela herdada dos pais ou extraída do contexto social dominante — como uma mera ferramenta política para alcançar os seus próprios objetivos egoístas.
O próprio Absalão utilizou de forma calculada a crença de seu pai para abrir caminho até o trono, conforme registrado em 2 Samuel 15.7-9: “Ao cabo de quatro anos, disse Absalão ao rei: Deixa-me ir a Hebrom cumprir o voto que fiz ao Senhor. Porque, morando em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se o Senhor me fizer tornar a Jerusalém, prestarei culto ao Senhor. Então, lhe disse o rei: Vai-te em paz. Levantou-se, pois, e foi para Hebrom”.
Essa geração, sendo completamente apaixonada pela própria projeção, revela um perfil megalomaníaco e narcisista que, mesmo sem possuir estrutura moral, deseja ardentemente governar e liderar uma nação.
Dessa forma, para consolidar essa ambição baseada no orgulho, Absalão não hesitou em contratar e manipular pessoas simplórias para apoiarem o seu projeto de poder, agindo exatamente como descreve 2 Samuel 15.10-11: “Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom! De Jerusalém foram com Absalão duzentos homens convidados, porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam daquele negócio”.
Por fim, precisamos acompanhar o comportamento desta geração com uma atenção a mais, sobretudo, para não nos inserirmos nela, como também necessitamos buscar competências e capacidades críticas para reagir a essa manipulação sutil que engana as mentes incautas e busca estabelecer suas marcas destrutivas na sociedade.